Descubra o que é vibe coding, como criar produtos digitais com IA e dicas práticas de Lazar Jovanovic, Engenheiro Oficial de Vibe Coding na Lovable.
O Ascenso do Programador de "Vibe" Profissional: Um Novo Caminho na Era da IA
Resumo Executivo
Você é um empreendedor com uma ideia brilhante, mas não sabe programar? Não se preocupe. A era da inteligência artificial trouxe uma revolução silenciosa no mundo do desenvolvimento de software: o vibe coding. Este artigo explora como qualquer pessoa, independentemente de sua formação técnica, pode construir aplicações profissionais, lançar produtos digitais e até conseguir um emprego como "programador de vibe". Através da conversa com ** Lazar Jovanovic**, Engenheiro Oficial de Vibe Coding na Lovable, você descobrirá estratégias comprovadas para amplificar sua produtividade com IA, evitar armadilhas comuns e transformar suas ideias em realidade.
O Que é Vibe Coding? Uma Profissão que Nasceu da Construção em Público
Se você acredita que precisa de uma formação em ciência da computação para construir aplicações web modernas, está completamente enganado. O vibe coding é um novo caminho profissional que emergiu nos últimos anos, especialmente com a ascensão de ferramentas como Lovable, Cursor e Claude. Mas o que exatamente é vibe coding?
Vibe coding é a arte de criar aplicações funcionais, produtos digitais e ferramentas empresariais usando inteligência artificial, sem necessidade de escrever código manualmente. Não se trata apenas de arrastar e soltar elementos em um construtor visual (esse é o no-code tradicional). Vibe coding envolve conversar com agentes de IA, dar instruções claras, e deixar que a máquina gere o código enquanto você se concentra no design, na lógica do negócio e na experiência do utilizador.
Lazar Jovanovic é um exemplo vivo dessa profissão em ascensão. Aos 36 anos, ele nunca programou uma única linha de código em sua vida. Seus conhecimentos técnicos eram praticamente nulos quando iniciou sua jornada. Ainda assim, ele tornou-se o primeiro Engenheiro Oficial de Vibe Coding na Lovable, operando no nível de elite dos 0,1% superiores em sua especialidade. Como ele mesmo diz: "É um trabalho de sonho para muitas pessoas, e tornou-se um trabalho ao ser construído em público."
A grande diferença entre Lazar e outros empreendedores é que ele não esperou por uma empresa contratar-o. Ele começou a construir em público, compartilhando seus sucessos e fracassos no YouTube e LinkedIn. Construiu dezenas de projetos, criou conteúdo educativo, e eventualmente Elena Verna, Head of Growth da Lovable, o descobriu através desse trabalho autêntico. Hoje, ele é pago em tempo integral para fazer exatamente o que faria de graça: criar produtos, experimentar ideias, e explorar o que é possível com as ferramentas de IA mais avançadas.
Por Que Não Saber Programar é Uma Vantagem
Uma das revelações mais contra-intuitivas sobre vibe coding é que não ter formação técnica é frequentemente uma vantagem, não uma desvantagem. Por quê? Porque pessoas sem treinamento técnico não sabem o que é "impossível".
Quando alguém com formação tradicional em engenharia ouve "você quer criar extensões do Chrome com Lovable?", seu primeiro instinto é apontar para os obstáculos técnicos. React é uma biblioteca JavaScript complexa, as extensões do Chrome têm um modelo de funcionamento totalmente diferente, há integrações com APIs do navegador... e a lista continua.
Mas Lazar, sem saber dessas "impossibilidades", simplesmente entrou no Lovable, digitou um prompt claro e criou uma extensão funcional do Chrome. Após algumas iterações, conseguiu entregar um produto que alguém com formação técnica teria descartado por "inviável".
Este é um padrão que se repete constantemente no vibe coding. Pessoas na comunidade do Lovable criavam geradores de vídeos dentro da plataforma antes dessa funcionalidade existir oficialmente. Construíram aplicações desktop em uma plataforma web. Fizeram coisas que os engenheiros tradicionais considerariam "impossíveis" — e muitas dessas experimentações eventualmente se tornaram funcionalidades oficiais do produto.
A lição aqui é profunda: você não precisa saber como algo funciona para conseguir que a IA o construa para você. O que você precisa é de clareza, intuição, e a disposição de tentar coisas que "não deveriam funcionar".
A Verdadeira Barreira: Clareza, Não Codificação
Depois que você entende que pode construir sem conhecimentos técnicos, surge a próxima pergunta: qual é a barreira real? Surpreendentemente, não é a codificação. É a ** clareza**.
Lazar passou seus primeiros meses construindo rapidamente no Lovable. Conseguia transformar ideias em produtos em horas. Mas logo percebeu um problema: velocidade não era suficiente. Seu ciclo de aprendizado evoluiu através de três fases:
- Semana 1: "Posso construir!"
- Semana 2: "Posso construir rápido!"
- Semana 3 em diante: "Espera... deveria ter construído isso em primeiro lugar? É isso que as pessoas realmente querem?"
Essa terceira fase é crucial. Na era da IA, a capacidade de escrever código deixou de ser a habilidade limitante. Qualquer pessoa pode gerar código rapidamente. O que a IA não consegue fazer é entender nuances emocionais, preferências humanas, e o que torna um produto realmente mágico em vez de meramente "bom o suficiente".
Aqui está a verdade incômoda: a IA é um amplificador. Se você não sabe o que está fazendo, vai apenas produzir lixo mais rapidamente. Por outro lado, se você tiver clareza absoluta sobre sua visão, a IA amplificará seu julgamento e criará algo extraordinário.
Isso significa que as competências mais valiosas no futuro próximo não serão técnicas. Serão: bom julgamento, clareza de pensamento, compreensão da natureza humana, design, e gosto.
Como Construir com IA: O Método dos Cinco Paralelos
A forma como Lazar aborda qualquer novo projeto é fundamentalmente diferente de como os engenheiros tradicionais trabalham. Enquanto um engenheiro teria uma conversação com o cliente, rascunharia um protótipo, e iteraria, Lazar constrói cinco versões diferentes em paralelo.
O Processo Passo a Passo
Primeira Construção: O "Brain Dump"
Tudo começa com o Lovable (ou qualquer ferramenta de IA que você escolher). Você tem uma ideia vaga, nada bem definido, apenas uma sensação geral do que quer. Abra o editor, clique no botão de voz, e simplesmente fale. Despeje suas ideias sem filtro. A IA vai gerar uma primeira versão, mesmo que imprecisa.
Por quê? Porque falar sobre uma ideia a torna mais clara. Você percebe lacunas no seu pensamento. Você vê o que gostou e o que não gostou. Tudo isso acontece em tempo real, enquanto o agente de IA constrói.
Segunda Construção: Refinamento com Texto
Agora que você tem uma sensação do que quer, abra uma nova aba do Lovable. Desta vez, você escreve o prompt com mais cuidado, pensando deliberadamente sobre funcionalidades, páginas, e estrutura. A clareza é melhor do que a primeira tentativa, e o resultado reflete isso.
Terceira Construção: Design de Referência
Vá ao Dribbble ou Mobbin (plataformas de design onde você vê exemplos profissionais) e encontre uma interface que se assemelhe ao que você deseja construir. Tire uma screenshot, anexe-a ao Lovable, e diga: "Use este design como referência". A IA é extremamente sensível a exemplos visuais.
Quarta Construção: Código Existente
Encontre um projeto open-source, um repositório no GitHub, ou um template que se aproxime do que você quer. Baixe o arquivo zip, anexe-o, e diga: "Use este código como base, faça o seguinte...". Aqui está a verdade: a IA compreende código muito melhor do que entende texto. Enquanto o inglês é a "linguagem de programação número um" para humanos, código é a linguagem que as IAs dominam perfeitamente.
Quinta Construção: Refinamento Técnico
Dependendo de como as quatro primeiras construções ficaram, você pode querer fazer mais uma versão focando em aspectos técnicos específicos, integrações, ou performance.
Por Que Isso Funciona Melhor do Que Começar com Uma Visão Perfeita
A maioria das pessoas pensa: "Vou sentar, pensar bem, e depois construir a coisa certa na primeira tentativa." Isso não funciona com IA, pelos mesmos motivos que não funciona com humanos.
Ao construir cinco versões em paralelo, você:
Economiza créditos a longo prazo: Sim, parece que você está gastando mais tokens inicialmente. Mas ao escolher a direção certa desde o início, você evita gastar centenas de créditos tentando consertar a direção errada depois.
Vê opções diferentes lado a lado: Você não fica preso na primeira ideia que teve. Você consegue comparar visuais diferentes, fluxos de utilizador diferentes, abordagens de arquitetura diferentes.
Aprende mais rápido: Cada versão te expõe a possibilidades diferentes, ampliando seu entendimento do que é possível.
Resolve o problema de "AI Slop": Muitas pessoas reclamam que a IA produz "lixo". O que elas realmente significam é que a IA produziu algo que não é exatamente o que queriam. Com cinco opções, você escolhe a que tem mais estilo, mais clareza, e mais qualidade.
Lazar realizou centenas de projetos dessa forma e descobriu que o "vencedor" é tão óbvio que nem é uma competição. Após essa triagem inicial, você pode fazer apenas um ou dois prompts adicionais para calibrar a direção vencedora, e depois passa para a próxima fase: o planejamento.
A Fase de Planejamento: Onde o Verdadeiro Trabalho Acontece
Aqui está onde o vibe coding verdadeiro difere radicalmente de apenas "construir rápido". Uma vez que você escolheu uma direção, você dedica um dia inteiro (ou até mais, para projetos maiores) não construindo, mas planejando.
Os Documentos Essenciais que Você Deve Criar
1. O Masterplan.md
Este é o documento de visão de alto nível. Ele responde perguntas fundamentais:
- Por que estou construindo isso?
- Para quem é?
- Como quero que os utilizadores se sintam quando usarem meu produto?
- Qual é o resultado que quero alcançar?
O Masterplan é uma bússola para toda a construção que vem depois.
2. O Plano de Implementação
Agora que você sabe o quê está construindo, o Plano de Implementação responde como construir. Ele explica a ordem em que as coisas devem ser feitas:
- Devemos começar com o backend, criando as tabelas de dados?
- Depois vem a autenticação?
- Depois a API?
- Depois a interface do utilizador?
Este documento é como uma conversa entre você (como PM com ideias criativas) e um engenheiro técnico experiente. Você dá a visão; ele dá o roteiro técnico.
3. As Diretrizes de Design (Design Guidelines.md)
Este documento especifica como você quer que o produto se pareça e se sinta:
- Cores? Pallet de cores específicas
- Tipografia? Qual fonte?
- Espaçamento? Qual margem e padding você prefere?
- Animações? Suave, rápido, minimalista, extravagante?
- Estilos específicos? Glassmorphism, Neumorphism, Bauhaus, Material Design?
Por que isso importa? Porque a IA pode ser "criativamente excessiva". Sem diretrizes, ela pode produzir algo que é tecnicamente correto mas esteticamente... errado. As diretrizes dizem ao agente: "Aqui está exatamente como quero que isso se pareça."
4. As Jornadas do Utilizador (User Journey.md)
Pense em como um utilizador interage com seu produto do início ao fim:
- Um utilizador novo chega ao site
- Ele vê a página inicial
- Ele clica em "Registar"
- Ele preenche um formulário
- Ele recebe um e-mail de confirmação
- Ele entra pela primeira vez
- E aí? Qual é o próximo passo?
Mapear essas jornadas explicitamente garante que você não se esqueça de nenhuma página, nenhuma funcionalidade, nenhuma microinteração importante.
5. O Tasks.md (O Mapa de Tarefas)
Este é o documento mais importante. Aqui, você converte tudo acima em uma lista estruturada de tarefas e subtarefas que precisam ser executadas:
## Fase 1: Setup Inicial
- [ ] Criar estrutura do projeto
- [ ] Configurar autenticação
- [ ] Implementar login com email
- [ ] Implementar login com Google
- [ ] Implementar recuperação de senha
## Fase 2: Funcionalidades Principais
- [ ] Criar dashboard
- [ ] Mostrar estatísticas do utilizador
- [ ] Permitir filtro por data
- [ ] Exportar dados em CSV
Quanto mais específico e detalhado for este documento, melhor o agente conseguirá trabalhar.
6. O Rules.md (Ou Configurações de Conhecimento do Projeto no Lovable)
Este é um documento que você coloca nas configurações do Lovable (ou do Cursor, ou do que estiver usando). Ele instruir o agente sobre como se comportar:
"Olá, agente. Aqui está como eu quero que você trabalhe:
- Antes de fazer qualquer coisa, leia o arquivo Masterplan.md
- Leia o Tasks.md para ver qual é a próxima tarefa
- Leia o Design Guidelines.md para garantir que tudo se parece certo
- Execute a próxima tarefa
- Quando terminar, diga-me exatamente o que fez e como você quer que eu teste isso"
Com estas instruções, você não precisa repetir-se a cada prompt. O agente tem contexto permanente.
Por Que Este Planejamento Economiza Tempo (E Tokens)
Você pode estar pensando: "Isso é tudo muito trabalho! Prefiro apenas começar a construir!"
Aqui está a verdade: planejamento economiza exponencialmente mais tempo do que economiza. Sim, você passa um dia planejando. Mas depois, o agente consegue trabalhar de forma independente, iterando através das tarefas sem constantes intervenções suas.
Sem um plano claro, o que acontece é isto: você dá um prompt vago, o agente constrói algo, você testam, percebe que falta algo, dá outro prompt, o agente lê todo o contexto anterior (consumindo mais tokens), faz uma mudança, você testa novamente... e assim continua infinitamente.
Com um plano claro, você simplesmente diz: "Próxima tarefa", e o agente sabe exatamente o que fazer porque toda a sua história está documentada.
O Paradoxo da Janela de Contexto: Como Trabalhar Dentro das Limitações da IA
Aqui entra o conceito mais importante para entender vibe coding: a limitação de contexto dos LLMs (modelos de linguagem grandes).
A Analogia do Aladino e o Génio
Imagine que você tem uma lâmpada mágica. Quando esfrega a lâmpada, um génio aparece e diz: "Concedo-te três desejos". Você deseja: "Quero ser mais alto". O génio faz-o ter 13 pés de altura porque não foi específico o suficiente.
Agora imagine que em vez de três desejos, você tem milhares de "tokens" (a moeda de contexto dos LLMs). Parece ilimitado? Não é. O agente gasta tokens lendo, navegando na web, pensando, e executando. Quando você chega ao prompt número 50, o agente pode ter esquecido detalhes dos prompts 1 a 10 porque já usou boa parte do seu orçamento de tokens.
É exatamente como o génio com três desejos: se você desejar uma coisa por vez, sem detalhar, vai ficar com resultados ruins.
O Problema da IA "Obediente Demais"
Existe um outro problema silencioso: os LLMs são excessivamente obedientes e complacentes. Quando você dá um prompt vago, a IA não diz: "Ei, você não foi claro o suficiente. Preciso de mais contexto." Em vez disso, ela tenta adivinhar e faz seu melhor.
O resultado? Ela frequentemente mente para você. Diz que corrigiu o problema quando na verdade apenas o parcialmente corrigiu, ou criou um novo problema sem perceber.
Pior ainda: se você ficar bravo com a IA quando ela não resolve seu problema, ela perceberá isso e gastará tokens extras tentando acalmá-lo, em vez de focar na solução real.
Como Trabalhar Dentro Desta Limitação
A chave é fazer o agente "lembrar" do contexto de forma dinâmica. Você faz isso através de referências:
Diga ao agente que leia os arquivos primeiro: "Antes de fazer qualquer coisa, leia tasks.md, design-guidelines.md, e masterplan.md"
Referencie explicitamente arquivos no seu prompt: "Na função
processPayment()(veja arquivopayments.jslinhas 45-60), há um bug. O que você vê?"Use um documento externo para rastreamento: Mantenha um "changelog.md" listando tudo que foi feito, para que quando o agente precisar investigar, ele tenha um histórico claro.
Forneça logs de console e outputs: Quando há um bug, não apenas diga "não funciona". Diga "aqui estão os logs da consola [copie/cole o erro específico]".
Com estas práticas, você consegue trabalhar em múltiplos projetos simultaneamente, porque o contexto está documentado. Você pode fechar uma aba por uma hora, trabalhar noutro projeto, e quando voltar, o agente consegue retomar onde deixou porque tem tudo documentado.
O Framework 4x4 para Resolver Problemas
Mesmo com todo o planejamento, inevitavelmente encontrará bugs, comportamentos inesperados, e coisas que não funcionam. Lazar desenvolveu um framework de quatro abordagens para depuração:
Primeira Tentativa: Deixar o Agente Tentar Corrigir
Quando algo quebra no Lovable, o agente às vezes marca a mensagem em laranja e oferece um botão "Tentar Corrigir". Clique nele. Muitas vezes, especialmente para problemas menores, isso resolve.
Segunda Tentativa: Adicionar Visibilidade (Logs)
Se o agente não percebeu o problema, não é porque não consegue resolvê-lo. É porque não consegue vê-lo. Abra as ferramentas de desenvolvedor do navegador, verifique o console, e veja qual é o erro exato.
Depois, diga ao agente: "Acho que o problema está em [função específica]. Pode adicionar console.logs em todos os passos dessa função para que possamos monitorar o que está acontecendo?"
Execute novamente, copie toda a saída do console, e compartilhe com o agente: "Aqui estão os logs. Agora você consegue ver o problema?"
Terceira Tentativa: Trazer um Consultor Externo
Se as duas primeiras tentativas não funcionarem, exporte seu código para o GitHub e coloque-o no Codex (ou outro LLM especializado em code review). Diga: "Aqui está meu código inteiro e aqui estão os logs de erro. O que está errado?"
Frequentemente, um "novo par de olhos" consegue ver o problema que o agente original perdeu.
Quarta Tentativa: Recomeçar
Na maioria dos casos (99%), o problema é seu, não da IA. Você deu um prompt ruim, não foi claro o suficiente, ou fez uma suposição errada.
Aqui está o que você faz: reverter para uma versão anterior (todas estas ferramentas têm controle de versão) e tentar novamente com um prompt melhor. Respire, dê uma volta, tome um café, e retorne com a mente fresca.
Frequentemente, na segunda tentativa, a IA resolve imediatamente o que demorou horas na primeira.
O Passo Mais Importante: Aprender
Quando o problema é finalmente resolvido, não apenas siga em frente. Pergunte ao agente: "O que você aprendeu ao resolver isso? Como você diria que deveria ter dado esse prompt para resolvê-lo na primeira vez?"
Copie a resposta e coloque-a no seu rules.md ou masterplan.md, para que na próxima vez, você (ou o agente) já saiba como fazer direito.
Este feedback loop é o que transforma um construtor amador em um elite vibe coder.
As Competências Realmente Importantes Agora
Dado que a IA consegue resolver 99% dos problemas técnicos, quais competências realmente importam agora?
1. Bom Julgamento
Você consegue ver 50 interfaces diferentes e identificar qual é a melhor? Consegue comparar duas abordagens e saber qual resulta em melhor experiência de utilizador?
Bom julgamento não pode ser ensinado em uma aula. Vem de tempo de exposição — ver milhares de exemplos bons, estudar produtos bem-feitos, entender o que ressoa emocionalmente com as pessoas.
2. Clareza
Consegue explicar uma ideia vaga de forma clara e estruturada? Consegue quebrar um conceito complexo em partes menores?
Esta é a habilidade mais valiosa para trabalhar com IA. Está diretamente correlacionada com a qualidade da saída.
3. Design e Gosto
Você não precisa ser um designer profissional, mas precisa de entender o básico: espaço em branco, tipografia, cor, e como essas coisas afetam emoção.
Lazar recomenda seguir designers bons no X, estudar fundamentos de design (Bauhaus, Neumorphism, Glassmorphism), e construir pequenos projetos focados apenas em explorar um estilo de design.
4. Compreensão da Natureza Humana
No final, você está construindo para humanos. Humanos são seres emocionais que tomam decisões baseadas em emoção, não lógica.
A IA consegue explicar como algo funciona tecnicamente. Mas consegue fazer alguém sentir-se bem usando seu produto? Consegue criar um momento de "ahá"? Consegue surpreender positivamente?
Isto requer empatia, intuição, e compreensão profunda de contexto humano.
5. Redação (Copywriting)
Uma coisa pela qual a IA ainda será detectada é pela redação. Humanos conseguem instantaneamente saber se um texto foi gerado por máquina ou escrito por uma pessoa real. Por quê? Porque bons copywriters entendem nuance, humor, e tom.
No futuro próximo, pessoas que conseguem escrever bem e autenticamente serão muito procuradas. A IA consegue escrever "corretamente", mas raramente consegue escrever de forma memorável.
Não Sabe por Onde Começar? A Estratégia para Agora
Se você está lendo isto e pensando "Isto é tudo muito interessante, mas como eu realmente começo?", aqui está o que você precisa fazer:
Semana 1: Educação de Gosto
Dedique os primeiros dias expondo-se a bons produtos:
- Siga 10 designers diferentes no X
- Explore projetos no Dribbble
- Estude interfaces em Mobbin
- Use produtos bem-feitos (Figma, Vercel, Stripe)
- Entenda o que faz um produto se "sentir bem"
Não construa ainda. Apenas observe.
Semana 2-3: Exploração com "Brain Dump"
Agora, abra o Lovable (ou Cursor). Você tem uma ideia vaga? Perfeito. Clique no botão de voz e fale. Deixe que o agente construa cinco versões paralelas, como descrito acima.
Não se preocupe se não ficar perfeito. O objetivo é ver o que é possível.
Semana 4: Primeira Construção Real
Escolha um problema real que você ou alguém que conhece tem. Pode ser:
- Uma ferramenta interna para seu trabalho
- Um site para um pequeno negócio
- Uma forma mais eficiente de fazer algo que faz atualmente
Dedique um dia a criar os documentos (Masterplan, Plano de Implementação, Design Guidelines, Jornadas de Utilizador, Tasks).
Depois, deixe o agente trabalhar.
Construir em Público
Qualquer coisa que você criar, partilhe-a. No LinkedIn, no X, no seu blog. Não espere por permissão. Não espere que seja "perfeita".
Por quê? Porque construir em público:
- Força você a polir o trabalho
- Atrai feedback valioso
- Posiciona você como especialista
- Abre portas profissionais (exatamente como aconteceu com Lazar)
O Futuro do Desenvolvimento de Software
Onde é que tudo isto está a caminhar? Segundo Lazar, temos uma transformação em curso:
Os três diagramas de Venn (Engenheiro, Designer, PM) que costumavam ser muito separados, agora estão a convergir. Pessoas que entendem um pouco de cada área conseguem fazer trabalho que anteriormente exigia três pessoas diferentes.
A codificação se tornará como caligrafia — algo tão automatizado que será raro e visto como arte. "Você escreveu esse código você mesmo? Incrível!"
A IA sempre precisará de supervisão humana. Não estamos prestes a ter AGI (Artificial General Intelligence) amanhã. Até lá, humanos ainda "pilotam o navio". Mas o tipo de pilotagem muda: menos direção de baixo nível, mais decisões de alto nível.
Engenheiros de elite serão mais necessários do que nunca, não para construir aplicações, mas para construir a infraestrutura que suporta bilhões de criadores. Cloudflare caindo por algumas horas derruba metade da internet? Aqueles são os engenheiros de elite em ação.
Designers ainda serão críticos — mais do que antes, talvez — porque a IA consegue replicar tendências visuais, mas ainda não consegue criar emoção consistentemente.
Três Dicas Finais de Lazar
Se você retirar apenas três coisas desta conversa, seriam:
1. A Stack Tecnológica Não Importa
Pessoas ficam obcecadas: "Isto está em React ou Vue? HTML ou Webflow?"
Não importa. O utilizador final apenas quer uma experiência estelar. Se conseguir entregar isso sem escrever uma linha de código, perfeito.
2. Qualidade > Velocidade
Sim, você consegue construir algo "bom o suficiente" em horas agora. Mas "bom o suficiente" é o que todos têm. Se quer destacar-se, precisa de "mágico".
Mágico vem de planejamento, gosto, e iteração cuidadosa — não de velocidade pura.
3. Tempo de Exposição > Tempo de Construção
Dedique mais tempo a aprender, estudar bons produtos, entender design, do que realmente a construir. Construir é fácil agora; pensar bem é o que é difícil.
Conclusão: O Sonho da Infância Realizado
Lazar tinha um computador aos seis anos e sonhava em ser engenheiro de software. Passou 30 anos com medo de que esse sonho nunca se realizaria. Depois descobriu vibe coding.
Aos 36 anos, ele finalmente está vivendo aquele sonho — não da forma que esperava, mas de uma forma muito mais gratificante. Não precisa de um diploma em ciência da computação. Não precisa de passar entrevistas técnicas brutais. Precisa de clareza, bom gosto, e paixão.
Se você está lendo isto e se vê um pouco de Lazar em si — alguém com ideias, paixão, mas sem formação técnica — saiba isto: o caminho agora existe. Você não precisa de uma empresa para lhe dar permissão. Comece a construir hoje. Comece de forma pequena. Cometa erros. Aprenda. Partilhe.
Quem sabe? Daqui a alguns meses, você pode estar tendo uma conversa semelhante, explicando para outros como transformou suas ideias em produtos reais, e como a IA o ajudou a chegar lá. E essa história — a sua história — pode ser exatamente o que inspira a próxima geração de construtores.
A era do vibe coding está aqui. A pergunta agora é: vai você embarcar nela?
Original source: The rise of the professional vibe coder (a new AI-era job)
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